O relatório financeiro do CRB para o ano de 2025, que foi revelado na última quinta-feira, trouxe uma novidade: um déficit de R$ 1,31 milhão. O diretor financeiro do clube, Felipe Baracho, compartilhou com o ge as explicações para esse resultado.
Motivos do Déficit
De acordo com Baracho, o resultado de 2025 pode ser atribuído, em grande parte, a dois fatores principais. O primeiro é o nível elevado de custos que foram assumidos durante um ciclo de crescimento do clube, impulsionado por receitas extraordinárias que foram registradas entre 2023 e 2025. O segundo fator é a não contabilização, dentro do exercício, de receitas já contratadas, como patrocínios e Timemania, que estão programadas para serem realizadas no ano seguinte. Essa situação implica um desalinhamento entre a competência econômica e a disponibilidade de caixa, sem representar uma perda estrutural da capacidade do clube de gerar receitas.
Previsões para 2026
Quanto ao planejamento para 2026, Baracho afirmou que ajustes nas finanças serão necessários. Ele mencionou que o grande desafio será reduzir despesas sem comprometer a força competitiva da equipe no futebol.
Para o próximo ano, o clube está elaborando um orçamento que se alinhe à sua realidade comum de receitas, em um nível próximo ao que era antes do influxo de receitas extraordinárias. A diretiva é clara: a estrutura de custos deverá ser reformulada, especialmente na área esportiva, para garantir equilíbrio financeiro, previsibilidade e sustentabilidade, sem abrir mão da competitividade.
Com a perda das receitas da Liga Forte União (LFU), o dirigente comentou sobre as estratégias que o CRB tem adotado para lidar com a significativa diminuição desses recursos nos últimos três anos.
Baracho destacou que os recursos provenientes da Liga Forte União tiveram um caráter extraordinário e foram distribuídos entre 2023, 2024 e 2025. Para 2026, o planejamento do CRB não considera novas receitas desse tipo, sendo baseado unicamente nos ganhos recorrentes da operação.
Panorama Financeiro do CRB
Felipe Baracho também deu um panorama sobre a organização financeira do clube, ressaltando que o CRB tem uma trajetória sólida de crescimento e fortalecimento de suas receitas próprias nos últimos anos, com importantes avanços nas áreas de sócio torcedor, bilheteira e parcerias comerciais. No entanto, o término das receitas extraordinárias demanda um ajuste na estrutura de custos, a fim de alinhar o clube à sua realidade financeira habitual.
“Estamos passando por um movimento natural de reequilíbrio, focando em sustentabilidade, responsabilidade financeira e continuidade do nosso progresso”, disse Baracho.
Além disso, ele comparou a situação do CRB à de outros clubes da Série B do Campeonato Brasileiro, observando que, ao analisar o cenário do futebol brasileiro, é possível perceber que os resultados financeiros do CRB em 2025 estão contextualizados dentro do mercado. Em um levantamento comparativo, o clube obteve o quarto melhor resultado entre as equipes da Série B, mesmo após um ciclo de investimentos e no término de receitas extraordinárias.
Baracho alertou que alguns clubes que apresentaram resultados positivos se beneficiaram, em 2025, de receitas geradas por suas recentes participações na Série A, o que não representa uma fonte de receita recorrente.
Na visão do diretor financeiro, não é só o CRB que enfrenta a necessidade de se ajustar à realidade do futebol brasileiro. “Isso reforça que a situação do CRB não é isolada, mas sim parte de um panorama mais amplo do futebol brasileiro, onde o verdadeiro desafio está em equilibrar a competitividade esportiva com a sustentabilidade financeira.”